Quando há silêncio, tudo parece não existir. Só o silêncio! O mundo fica em estado de inércia, de quietude e de apatia. Obscurece-se o universo. Não há perguntas, muito menos respostas. Não há contato porque as pessoas parecem não existir. Móveis dentro de uma casa vazia. Não há trânsito, troca ou a ideia de que existe vida, pessoas, interações. Não mais há.
O silêncio abre apenas lacunas, dúvidas, desespero e solidão. Não ouvir um som, gutural que seja, é desestimulante. E por que não, desesperador!
(...)
Falar só já não basta. Não sei como seria meu mundo sem o som das coisas, das palavras. Talvez se nunca as tivesse ouvido antes, seria normal. Até interessante. Quem sabe?! Sei que os sons todos me movem, as vozes das pessoas me causam sensações. As palavras impressas, digitadas, postadas, me alegram. Sou definitivamente dependente delas. Das palavras. E o silêncio, esse terrível inimigo meu, me ronda, às vezes. E ainda não encontrei maneira de afastá-lo de mim. Gritar?! Sussurrar?! Murmurar?! Orar?! Cantarolar, quem sabe?!
Quero mais que minha voz. Ela já me é familiar demais. Minha demais. Gosto da fala alheia, das palavras dos outros, sempre são mais interessantes. Sempre me dizem mais. Gulosa, sedenta de palavras, sou.
(...)
Serão só palavras que desejo, ou elas são uma grande metonímia para pessoas?! Meu universo está feito de perguntas, de questionamentos. Vivo uma fase de novas descobertas e experiências e o silêncio não é bem vindo nesse momento. Ele não poderia me dizer nada. Ou poderia?! Será que ele não quer me dizer que nem todos gostam de palavras?! Será que ele não quer me dizer que minhas palavras incomodam?! Invadem?! Apodera-se demais de tudo?! Pra saber disso, palavras! Ou um simples olhar! Aquele que só pode falar algo, quando existir. Quando os olhos deixarem o silêncio morrer.
Bia Crispim