Procura-se por alguém
Que não seja perfeito
Pois seus defeitos devem ser encantadores
Procura-se alguém
Que não seja belo
Pois sua beleza só será vista pelos meus olhos
Procura-se
Um anjo sem asas ou auréola
Sem harpa nem cabelos louros de cachinhos
Mas que seja cheio de amor
de tesão, de carinho
e atenção
Procura-se
Um sorriso que chegue até mim
Através de um olhar tenro e fixo e consolador
Procura-se alguém que me encha de mimos
Que me veja pequena e frágil
Que me tenha como se tudo
Procura-se um sedutor
Que me deixe apaixonada todos os dias
E que me faça mulher mesmo quando eu insisto em ser menina
Procura-se um amigo
Que não deixe de sê-lo
Porque me tem sua
Procura-se aquele
Que me tocará sem medo
E fará da minha presença sua festa.
Procura-se!
Bia Crispim
"Amei-te e por te amar
Só a ti eu não via...
Eras o céu e o mar,
Eras a noite e o dia...
Só quando te perdi
É que eu te conheci..."
Fernando Pessoa
Amei-te!
Como amei-te!
Silenciosamente, como uma brisa
ou um sussurro tênue.
Inaudível.
Amei-te carinhosamente
como um arrepio de pele
em noite de frio.
Uma leve intenção de toque...
Inatingível.
Amei-te docemente
como algodão-rosa-doce,
em fim-de-tarde, sobre a roda-gigante do parque,
derretendo suavemente na língua.
Indescritível.
Amei-te no torpor de um sonho;
num ímpeto de um desejo;
num impulso de uma vontade.
Amei-te imensamente.
Eloquentemente.
A ponto de sentir o amor crescer
como ânsia de explosões catastróficas.
Amei-te feito vulcão:
queimando por dentro.
Amei-te feito tufão:
desordenando tudo ao meu redor.
Amei-te como um grande terremoto:
tremor no corpo e medo e susto...
Amei-te tsunamicamente...
Devastei-me!
Amei-te num tempo pretérito,
preteritamente perfeito.
Para hoje tudo ser lembrança.
Para hoje, nada... Amara!
Passado, pretérito mais-que perfeito.
Bia Crispim