À doce menina Angelita
A lâmpada lá de casa deu a luz. Na varanda, entre o fio e o bocal, um beija-flor pousou, construiu um ninho, graveto a graveto, capim a capim, aconchegou-se, aninhou-se, com certeza, apaixonou-se e beijou muitas flores. Prenhou-se de pólen, de doçura... açucarou-se.
De barriga cheia, adormeceu...
De barriga cheia, adormeceu...
Acordou agoniado, asas rápidas, inquietude, tremor, sensação nova. Maternou-se em ovos. Dois! Onde a vida germinou. Da casca, flor aberta, outros bicos, outras asas, outros voos.
Sozinha a mãe observou os filhos que aprendiam a beijar flores. Viu-as abrirem-se ao toque exasperado dos bicos desejosos, ansiosos... Novos sabores e novos prazeres.
Beijo, de bico, de flor. Bico que se aninhou em outra lâmpada, para ver uma nova luz brotar.
Bia Crispim