De quando sorrimos.
De quando nos jogamos na areia e olhamos para a imensidão
Esperando que caíssem sobre nós
E realizassem o que mais queríamos.
De quando sentimos frio
Vendo-as se esconderem atrás de nuvens:
Nuvens-coisas, nuvens-bichos, nuvens-chuva
Muita... Caindo, caindo, caindo...
Caindo feito estrelas
Obscurecidas pela água toda abundantemente
Que nos lavava
O corpo, o espírito, os pensamentos, os desejos.
De quando, impulsionados pelo medo e a coragem,
Entramos em contato com o mar
E com as estrelas que lá habitam -
Habitam feito seres opacos, no solo,
Habitam feito seres celestes, boiando na superfície,
Ou presas sobre o mar, longe, brilhantes,
Ou ainda, nos olhos que se cruzavam:
Faíscas ou brasas de uma fogueira recém-apagada.
De quando as estrelas brilharam?
De sempre e por todo o sempre.
Bia Crispim