A Paulo Mendes Campos.
Numa aurora pós insônia
Num despertar ao teu lado
Num entardecer ainda quente
Num céu negro estrelado
Quando não te olho nos olhos
Ou não desvio os meus para vê-los
Num sorriso sem graça
Ou na beleza de mantê-lo
Acaba num pranto amargo
Durante um sonho ou pesadelo
Num rompante de fúria
Brisa sobre os ombros, cabelo
Quando o telefone toca
Ou quando o silêncio impera
Quando a solidão desola
Verão, inverno, outono ou primavera
O amor acaba e fica um vazio
Um gosto de desgosto
Um assombro, um calafrio
Desbotamento e lágrima no rosto
Num momento qualquer
Não haverá mais nada
Pra (re)nascer... outra vez
É que o amor acaba.
Bia Crispim