Uma eternidade
De tudo aquilo
Que morre comigo
Que não mais me pertence
Pois agora é teu
Se assim o quiseres
Descartada numa gaveta
Guardada no coração
Minha ideia é palavra
Que nunca foi minha
Que sempre foi minha
E sempre será
Em cada verso
Um pedaço
Fragmento
Fagulha
Estilhaço
Do que fui
Do que sou
Do que quero
Acorrentada à liberdade
De falar e escrever
Me faço
Meus limites ultrapasso
E chego até ti
Como um sopro
Uma brisa
Ou um vendaval
Em cada verso
Expando minh'alma
Cuspo fora meus dissabores
Vomito o erro que consumi
Exponho minha fragilidade
E minha fortaleza
Sou paradoxo
Entre alma e carne
Entre amor e ódio
Entre certeza e dúvida
Entre mim e ti
Um mundo
E um abismo
Em cada verso
A música
A rima
E o sentimento
A reflexão de um tempo
Que trago comigo
Mas que não é só meu
Por isso
Toma-o
Consuma-o
Divida-o comigo
E se for humano
Chore e ria
Como faço agora
E escreva um verso
Pra acalmar teu ser
E talvez, dar paz
Ao meu
Bia Crispim
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