A navalha abriu o ventre
Em bandas
Duas vezes me cheirou
De súbito
Uma substância
Fez arriar
O pilar, a viga mestra
Prole em alvoroço
A morte deu sinais
-"Estou próxima", dizia
Fragilidades humanas
Homens, o que somos?
A vida morre de medo da morte
Nosso paradoxo
O cromossomo defeituoso
Manifestou-se
Progrediu
Ganhou nome:
Steinert
Era assim que a morte
Apresentava-se depois
De ouvir os músculos
Em bombardeio
Som de morte
Guerra interna
E do lado de fora,
Pranto e dor
Dúvida e inutilidade
E a criança
Dengosa
Saiu do núcleo familiar
Arrebatada
Ganhou leito, cuidados
Remédios
Outra família
"O cuscuz de vovó é melhor"
Saudades de casa
A morte assustou
Assusta
Criança. idoso
Homem, mulher
A morte espreita meus lados
Todos
Sempre
E o que nos resta
É choro e Deus
Preciso descansar
Ponho "o rosto no travesseiro
fecho os olhos para o ensaio"
A morte habita em mim.
Bia Crispim
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