Aos amigos Custódio e Maguila, caicoenses que fazem de Caicó um paraíso intelectual.
Churrasquinho, caldo, cachaça e amigos é a melhor combinação para um domingo à noite em alguma calçada ou esquina de Caicó. Principalmente se esses amigos forem artistas, filósofos, professores, advogados ou políticos.
Não se conversa ou proseia, abre-se uma assembleia ou um espetáculo, de muito bate-boca e gargalhadas. E quando a água que passarinho não bebe começa a fazer efeito é que o negócio fica bom. As ideias (boas) brotam, fluem e se espalham.
Quem estiver à mesa ou nas proximidades arregala os ouvidos e os olhos. A conversa é cabeluda.
De questões ligadas à política, arte e filosofia, partimos para violência urbana, gastronomia e sacanagem. Entramos na música, nas últimas notícias e nos projetos particulares de cada um. Falamos de amores, é claro!
Recebemos outros amigos passageiros, alguns que pararam e abriram uma outra discussão, ou só deram notícias de suas vidas e depois partiram. Rodízio animado de gente.
Mas nós três, que nos propusemos a derrubar três latinhas de aguardente, não arredávamos os pés dali.
Nem lembro de ter ido ao banheiro vez alguma.
(...)
Sorvido todo o álcool, saímos os três, banhados de lua e estrelas em busca de nossas casas. Rindo de tudo e de qualquer coisa que falávamos, o que, em hipótese alguma chamaria de besteira ou asneira.
Ainda pensamos em lavar a cachaça com uma cervejinha... costume de seridoense... mas optamos por não fazê-lo, já era tarde.
Caminhando, abraçados, nós três também brilhávamos como as estrelas no céu. E não sei por que um de nós falou: - Eu prefiro a constelação de Órion.
A cachaça não me permite lembrar em que parte da conversa essa máxima surgiu, mas lembro-me que veio acompanhada de muitas risadas.
Órion estava sobre nós e também estava ali, no brilho que emanava da nossa alegria bêbada de sermos amigos e de estarmos juntos, naquela noite quente do Sertão de Caicó.
Bia Crispim
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