Cheiro de terra
De água e terra
Lama
Vida do Sertão
A jurema sentiu o cheiro
Enverdeceu-se
E o frio cortou o vento
À boca da noite
Cheiro de mato molhado
De sertão em flor
Esperança úmida
Transparente
Incontida
Pingos, respingos
Sensação de banho
De limpeza
De renovação
Do cinza do céu
O sol se esconde
Esfriou-se?
Apagou-se?
Intimidou-se!
E o vento soprou
Bateu água em tudo
Na cara
Na alma
O mundo estava regado
O quente, aplacado
O chão, ensopado
O coração, feliz
Hoje dormirei escutando os pingos
Os rumores da água
Seus segredos tão escorregadios
Sonharei com mar
Com cachoeira
Embaixo da bica num dia de sol!
E me sentirei aconchegada
Quando despertar aquecida
Em seus braços.
Bia Crispim
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