Lua, nua,
branca e caudalosa,
invadia meu quarto, meu sonho,
conduzia-me, enlouquecia-me.
Virei loba, uivei
e fui à caça.
Perverti-me,
enchi-me de luz
e enchentes.
Alguma coisa
movia-se em mim
como ondas,
penetrava-me,
rebentava-me.
Luar prata
invadia os olhos e o coração.
Glóbulo branco
que impulsionava
o pulso.
O impulso
de sair
de libertar-se
de experimentar
a noite clara...
Alva, alma,
clarão que lambia-me.
Fogo branco brando
que prateava minha
pele feito escamas.
Eu, prata, lua,
sereia fora d'água,
molhada, úmida,
à procura de um náufrago
para seduzir.
O luar energizava-me,
sacudia-me
e balançando o rabo
de deusa-peixe-mulher,
enfeitiçava-o.
Bia Crispim
Huuum tudo isto inspirado pela proximidade que a lua se encontra da terra?
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