Em um momento de tristeza, raiva e solidão.
No brilho do sol,
Escuridão.
No meio das gentes,
Ninguém.
Na estrada,
Nada.
No quarto,
O vazio.
No coração,
Desolamento.
E o pensamento?
Na mente não está.
Na pele,
Ausência.
No sorriso,
Tristeza.
E a boca
Uma palavra
Não mais diz.
De dois,
Um.
De um,
Meio.
E o meio se viu só.
Soli
dão
Quem?
Quem se dá?
Quando se dá?
Posso me dar?
Para quem?
Não há ninguém!
E o solo
Sólido
Já não mais produz.
Há árvores,
Mas onde estão os frutos?
Comeram-nos?
Levaram-nos?
Deixaram-nos estragar por terra!
Não alimentaram,
Não brotaram,
Não frutificaram,
Permaneceram inertes.
Faltou água,
Faltou cova rasa,
Faltou a terra cobrir,
Faltou o solo nutrir.
Soli
dão
Já não lhe dão
Já não se dão
E a luz se vai
Deixando o desolamento.
No caminho sem ninguém,
O que ficou?
A cama sem calor
E o coração que só
Só escuta seu próprio pulsar...
Devagar...
Sem toque
A boca seca
E sem sabor
Doce já não há
Tudo se amargou
E a metade?
De quem?
De quem não foi amado
E viveu só,
E morreu só,
Morreu viva.
Só
Só lhe dão
Só me dão
Solidão
E a cabeça parou de sonhar
E os olhos fecharam-se
E o coração pedrou
Cansou de se ouvir
De se doar
De se sentir
E um dia
Tão só
Apaixonou-se por si mesmo
E afogado em sua própria paixão
Naufragou-se,
Narcizicamente.
Bia Crispim
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